Audiodescrição leva acessibilidade ao Fica 2016

Déborah Gouthier

Esse domingo, dia 21, foi um marco na história do Fica. Pela primeira vez, um dos filmes do festival foi exibido com o recurso da audiodescrição, para uma plateia de cerca de 50 deficientes visuais. A obra escolhida foi o curta goiano E o Galo Cantou, de Daniel Calil, que esteve entre as produções da Mostra Competitiva e da Mostra ABD.

Segundo Gilberto Silva, presidente da ADVEG (Associação dos Deficientes Visuais de Goiás), essa foi uma demanda das pessoas com deficiência visual, interessadas em entender a integralidade das mensagens dos filmes. “Nos filmes, muitas vezes as imagens transmitem mais do que as palavras. Por isso a audiodescrição é essencial. E isso é acessibilidade para as pessoas com deficiência visual”, explicou.

Durante a exibição, o silêncio da plateia era absoluto. Todas as atenções estavam voltadas para a história que seria contada – com o trabalho do filme, mas também com a descrição produzida especialmente para essa sessão. Com esse recurso, os deficientes visuais passam a ter acesso a uma tradução do visual para o verbal, o que permite uma maior inclusão cultural, social e escolar, ampliando seu contato em obras musicais, teatrais, cinematográficas, exposições de arte, etc.

A exibição do filme foi a última atividade do Fórum de Cinema desse ano, e contou ainda com uma mesa de debates entre Daniel Calil, diretor do filme; o presidente da ADVEG; e as audiodescritoras Mônica Magnani e Lívia Motta. Com uma plateia entusiasmada, eles discutiram a importância do recurso da audiodescrição e agradeceram o apoio do Fica e da Secretaria Estadual de Educação, Cultura e Esporte pela abertura desse espaço. A intenção do grupo, encabeçado pela ADVEG, é ampliar o espaço da audiodescrição nas próximas edições do festival.

Provocados pelo diretor do filme, que disse ser essa sua primeira experiência assistindo a uma obra com audiodescrição, o público pode discutir e opinar sobre a obra. Segundo Calil e Mônica Magnani, audiodescritora do curta, o final do filme deixa dúvidas ao espectador e que, por isso, a experiência dos deficientes visuais seria ainda mais provocativa. E o público presente correspondeu: sugeriram desfechos, problematizaram a cena final e, entusiasmados, aprovaram a atividade e a oportunidade de se inserirem no Fica.

Nesta manhã, outra atividade também integrou as discussões sobre esse recurso. A oficina Audiodescrição: o que todo produtor cultural precisa saber, com a doutora em linguística aplicada e audiodescritora Lívia Motta, visava capacitar realizadores do audiovisual para inserir esse recurso em suas produções.