Cerrado no centro do debate do primeiro dia do Fórum Ambiental

Jordânia Bispo

“Falar da permanência do Cerrado é falar da nossa permanência”. Essa foi uma das frases ditas pela coordenadora da Comunidade Fundo e Fecho de Pasto/Bahia, Euziene de Abreu Silva, que integrou a mesa de discussão sobre cerrado, realizada no primeiro dia do Fórum Ambiental do Fica 2016. Também fizeram parte da discussão o professor Altair Sales Barbosa e o representante da etnia Krao/Tocantins, Antônio Apinaje. O encontro trouxe para o centro do debate a realidade atual do Cerrado bem como as consequências da degradação desse bioma.

O encontro conduzido pelos coordenadores Robson de Sousa Moraes, geógrafo e professor da UEG, e pela agente da Comissão Pastoral da Terra (CPT-GO), Isolete Wichinieski, expôs a preocupação com o risco do desaparecimento do Cerrado. “Estamos falando do ambiente mais antigo do mundo, tendo em vista as formações mais recentes que conhecemos. Trata-se de um bioma que está desaparecendo e que não poderá ser recuperado jamais”, enfatizou o professor Altair Sales Barbosa ao explicar que uma vez que um solo ou nascente são degradados em um ambiente, nunca mais é possível ter a mesma vegetação e biodiversidade.

Outro ponto destacado foi a relação do Cerrado com a seca de importantes rios brasileiros. Segundo o professor Altair, o desaparecimento gradual do bioma já tem provocado problemas para a sociedade. Uma das mais evidentes consequências desse momento, de acordo com o convidado, tem sido a crise hídrica. “Precisamos fazer com que a escola e outras instituições importantes da sociedade percebam a importância desse debate e da produção de mais conhecimento acerca desse bioma. Com o que temos hoje, é impossível reverter a situação do Cerrado”, frisou Altair ao concluir sua fala.

Os convidados Euziene de Abreu Silva e Antônio Apinaje também apresentaram dados do cenário atual. Eles reforçaram a importância do engajamento da sociedade para que seja possível frear esse processo e denunciaram a violência cometida contra aqueles que moram no campo e lutam contra a degradação desse bioma. “Temos visto pessoas que defendem o Cerrado e combatem a sua exploração perderem suas vidas por baterem de frente com empresários poderosos que tem interesses claramente econômicos”, explicou Antônio.

convidados - Antônio falando

Para Euziene de Abreu Silva, a sociedade ainda tem muito o que caminhar para transformar positivamente essa realidade do Cerrado e, para isso, é preciso ter mais engajamento social. “O Cerrado só existe de pé onde existe uma comunidade em luta. E não vamos lutar sozinhos. A luta coletiva é muito mais forte”, concluiu a convidada ao enfatizar que um cenário diferente é possível.

convidados - euziene falando

Campanha Nacional em Defesa do Cerrado

O primeiro dia do Fórum Ambiental do Fica 2016 também foi marcado pelo lançamento da campanha “Cerrado, berço das águas: sem Cerrado, sem água, sem vida”. A ação foi lançada por meio de uma apresentação teatral e com a exposição dos objetivos desta proposta pela agente da Comissão Pastoral da Terra (CPT-GO), Isolete Wichinieski. A campanha é uma iniciativa de 36 organizações, movimentos sociais e entidades nacionais que buscam conscientizar a sociedade quanto à importância desse bioma, dar visibilidade à realidade das comunidades e povos do cerrado, mas também promover a união de forças de diferentes apoiadores para a luta em defesa do Cerrado.

lançamento da campanha nacional