Cidade de Goiás: casa do Fica comemora 15 anos como Patrimônio Mundial

Déborah Gouthier

 

A cidade de Goiás, cenário do maior festival de cinema ambiental da América Latina, comemora seus 15 anos como Patrimônio Cultural Mundial. O reconhecimento internacional foi conferido pela Unesco e coloca a cidade na lista dos bens entendidos como significativos para toda a humanidade, por sua importância para a memória, identidade e criatividade dos povos e culturas.

E nesta quarta-feira, dia 17 de agosto, é um dia essencial para lembrar Goiás como Patrimônio Mundial, já que essa é a data em que se comemora o Dia Nacional do Patrimônio Histórico. O dia foi escolhido em homenagem ao aniversário do primeiro presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o historiador e jornalista mineiro Rodrigo Melo Franco de Andrade.

No Brasil, 25 bens figuram na Lista do Patrimônio Mundial. A cidade de Goiás foi considerada um testemunho da ocupação da região central do país, durante os séculos XVIII e XIX, e é o único exemplar da arquitetura vernacular reconhecido pela Unesco. Segundo esta instituição, apesar de modesta, a arquitetura dos edifícios privados e públicos forma um conjunto harmonioso, graças ao uso coerente de técnicas vernaculares adequadas às características locais.

Logo após o título mundial, ainda no mesmo mês do reconhecimento, uma grande enchente no Rio Vermelho arrasou a área central da cidade, deixando 130 imóveis atingidos, sendo cinco deles com perda total, segundo a Superintendente do Iphan em Goiás, Salma Saddi. Todavia, um esforço conjunto entre a Unesco, os governos federal, estadual e municipal e a sociedade civil permitiu com que a cidade fosse rapidamente socorrida e reerguida. “Todo mundo ajudou e isso mexeu com as emoções das pessoas, por isso é tão importante que Goiás seja o palco de discussões sobre o meio ambiente, como propõe o Fica, para que sejam criados mecanismos e ferramentas para a preservação, como, por exemplo, o reflorestamento das cabeceiras”, afirmou a superintendente.

Quando um bem é considerado Patrimônio Mundial, a Unesco se compromete a promover sua proteção e salvaguarda. Além disso, no Brasil, o Iphan é a instituição responsável pela preservação do patrimônio cultural em nível federal, respondendo pela proteção dos bens culturais para que possam ser usufruídos pelas presentes e futuras gerações. Em âmbito estadual, a Seduce (Secretaria Estadual de Educação, Cultura e Esporte) também possui uma superintendência dedicada ao patrimônio cultural, promovendo as políticas públicas para a gestão e cuidado com os bens culturais. Atualmente, a cidade recebe ações em várias frentes, como a educação patrimonial e seis obras do PAC Cidades Históricas.