Conferência internacional de cinema propõe olhar mais humano nos documentários

Júnior Bueno

 

O Fica 2017 falou inglês na manhã de sábado, no Cine Teatro São Joaquim. Nascida no Haiti, mas criada entre os Estados Unidos e o Canadá, a documentarista Michèle Stephenson contou um pouco de sua história e experiência atrás das câmeras na conferência internacional Contar Nossa História: Complicando a Narrativa no Documentário. Com o auxílio visual de trechos de seus filmes, Michèle discorreu sobre a necessidade de se comprometer com o que se pretende registrar.

A diretora também falou sobre alguns de seus trabalhos, como A Conversation on Race, uma colaboração com o jornal The New York Times,em que ela entrevistou vários latinos nos Estados Unidos, alguns nascidos nos país e como eles lidavam com temas como racismo, identidade e pertencimento.

Outro trecho foi de um documentário em que ela visita o Haiti após um terremoto atingir grande parte do país. Michèle diz que sempre se colocou como parte de seus projetos, pois é esse o cinema em que acredita. “Como eu nasci e onde eu nasci é um legado que faz parte da minha história. Minha ascendência tem um passado de racismo, escravidão e isso corre no meu sangue onde quer que eu esteja”, disse ela.

Michèlle também defendeu que um documentarista não pode fazer da câmera um instrumento de poder ou hierarquizar as relações entre diretor e personagens. “É o personagem que deve guiar o filme, as direções e decisões devem ser tomadas a partir do personagem”, disse a diretora.

Michèlle Stephenson é cofundadora do Rhada Film Group, escritora e cineasta. Extrai de sua origem caribenha, bem como de sua experiência como advogada de direitos humanos, a essência das his