Fica 2018 deverá ter mais filmes com audiodescrição

Júnior Bueno

Em um dos últimos eventos do Fica 2017, na tarde de domingo, 25, a necessidade de inclusão a deficientes visuais foi o tema de uma roda de conversa. A acessibilidade por meio da audiodescrição guiou a programação do Cine Cora Coralina, na Universidade Estadual de Goiás (UEG).

O dia começou com uma exibição de seis filmes da mostra Fica Animado com o recurso para o deleite de pessoas que não podem enxergar. Às 15, uma roda de conversa sobre o tema reuniu representantes de entidades que representam as demandas dos deficientes visuais. A secretária de Educação, Cultura e Esporte, Raquel Teixeira, participou da roda e também esteve presente no encontro.

Adelson Alves, representante da Associação dos Deficientes Visuais do Estado de Goiás (Adveg) elogiou a iniciativa do festival em oferecer aos deficientes visuais a oportunidade de apreciar filmes e animações com audiodescrição. Para quem não conhece, o recurso consiste na descrição clara e objetiva de todas as informações que compreendemos visualmente e que não estão contidas nos diálogos, como, por exemplo, expressões faciais e corporais que comuniquem algo, informações sobre o ambiente, figurinos, efeitos especiais, mudanças de tempo e espaço, além da leitura de créditos, títulos e qualquer informação escrita na tela.

Para Marisa Eugênia Teixeira, presidente da Centro Brasileiro de Reabilitação e Apoio ao Deficiente Visual (Cebrav), tão importante quanto oferecer esse recurso, é a escolha dos títulos. “É bom ver que se preocuparam em oferecer para as crianças filmes com conteúdo crítico, que as ajuda a formar uma consciência social”, diz ela. Na ocasião, a entidade fez para a secretária Raquel Teixeira um pedido para que o Fica possa oferecer uma premiação para os melhores filmes com audiodescrição.

A secretária, por sua vez fez o compromisso de estipular, no edital do Fica a partir do ano que vem, que todos os filmes já venham com audiodescrição. “Nós sabemos que é não é um mecanismo simples e que é melhor que seja feito já com audiodescrição, então não sabemos ainda como isso pode ser feito, mas vamos descobrir uma maneira de tornar o Fica ainda mais acessível”, disse Raquel. Desde 2016, o festival vem oferecendo alguns filmes com audiodescrição. No ano passado foram dois títulos e neste ano, seis. A ideia é que o festival oferece cada vez mais filmes com o recurso.