Fórum Ambiental debate alternativas para as grandes cidades

Júnior Bueno

Cidade, meio ambiente e planejamento urbano: que cidade queremos? Para quem a queremos? Foram estas as as indagações do debate do Fórum Ambiental do Fica 2017 na manhã de sábado, 24 na Igreja do Rosário, na cidade de Goiás. Participaram do encontro José Lemes Galvão Júnior, superintendente do IPHAN no Distrito Federal, Carlos Fernando de Moura Delphim, pioneiro na defesa dos jardins históricos no Brasil, Leonardo Melgarejo, presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) e Roberto Rebés Abreu, do coletivo A Cidade que Queremos.

José Lemes Galvão Júnior em sua fala defendeu a teoria de que preservar é não desperdiçar. Segundo ele, o povo é o maior guardião da preservação de seu patrimônio, ele cita a maneira como Goiás se restabeleceu após uma enchente no início dos anos 2000 por meio da ação dos moradores da cidade. Para ele, a forma com que o Fica ajuda na preservação passa por duas vertentes: “Primeiro tem a preservação cultural, focada no conhecimento, reconhecimento e valorização dos bens. A segunda é a própria produção audiovisual que versa sobre o tema e se torna também parte do patrimônio”.

Outro momento a se destacar do encontro foi a participação de Roberto Rebés Abreu, representando o coletivo A Cidade que Queremos, de Porto Alegre. Ele apresentou o projeto Alice (Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação), que atua junto a pessoas que vivem em situação de rua. A associação criou o jornal Boca da Rua, produzido em parceria com essa população e juntos eles tratam de contar as histórias do ponto de vista do cidadão que vive à margem, criando narrativas diferentes das que saem na grande mídia para temas como violência, moradia e cidadania, entre outros.

Leonardo Melgarejo,também do coletivo A Cidade que Queremos e representante da Agapan ilustrou com exemplos de Porto Alegre como a participação da população pode construir alternativas em áreas que enfrentam problemas sociais. “É importante reconhecer a impossibilidade de se tratar dos problemas do ambiente sem tratar dos problemas da cidade”, diz ele, “e para isso é preciso da colaboração de todos. Um termo africano muito difundido é ‘umbutu’, que significa ‘eu sou porque nós somos’”, finalizou.24