Lázaro Ribeiro lança filme sobre Hugo de Carvalho Ramos

Cineasta goiano diz que é fruto do Fica e que deve sua carreira ao festival

 

Júnior Bueno

 

Em 1999, ano da primeira edição do Fica na cidade de Goiás, Lázaro Ribeiro era um adolescente que estava realizando o sonho de estudar artes plásticas na escola de artes Veiga Valle, quando pisou pela primeira vez no Cineteatro São Joaquim. Ali, o rapaz descobriu uma paixão que mudou a sua vida. “De repente tem aquela movimentação na entrada do Cineteatro São Joaquim, eu entro e está acontecendo justamente a apresentação de um filme. O ator José de Abreu fazia um discurso sobre o processo de produção do filme que seria lançado ali e aquilo me encantou. Foi nesse dia que eu me apaixonei”, conta o agora cineasta Lázaro, na ansiedade de lançar no 19º Fica seu mais recente trabalho, o curta-metragem Hugo, que conta a história do escritor vilaboense Hugo de Carvalho Ramos.

Lázaro se tornou um habitué do festival: todo ano ele estava lá com sua câmera tentando a todo custo registrar tudo, ter acesso aos convidados. “Eu queria fazer parte daquilo”, conta. A presença dele se tornou uma parte do festival, tanto que logo ele foi chamado para fazer making offs das edições que se seguiram. Enquanto isso, o garoto se jogava nas oficinas. A paixão tinha virado namoro sério. A primeira foi a de roteiro, e 19 edições do Fica depois, Lázaro já tem 25 filmes no currículo, entre documentários e biografias. Em destaque, Maria Macaca, vencedor do voto popular no Fica em 2015, com Elisa Lucinda no elenco e Caminho de Pedras, sobre a jovem Cora Coralina, estrelado por Samara Felippo.

Nesta sexta, 23, Lázaro apresentou no mesmo Cineteatro São Joaquim, seu mais novo projeto, Hugo, em que recria os últimos momentos de Hugo de Carvalho Ramos, autor de Tropas e Boiadas, obra fundamental da literatura goiana. Lázaro diz que há pouca coisa publicada sobre a vida do autor. “A pesquisa foi feita por mim e pelo Jadson Borges. E nós nos debruçamos na pesquisa desde 2011, então é um trabalho extenso. Compramos todas as edições do Tropas e Boiadas, porque cada edição quem fazia a apresentação era o irmão, o Vitor que cuida dessas edições. Em cada uma ele coloca um dado. Então fomos montando esse quebra-cabeças e buscando outras fontes, jornais, enfim. Fomos conversando até chegar na família. E foi um impasse, porque um lado não quer que fale, outro quer que fale do Hugo.”

O curta de 28 minutos retrata Hugo jovem, mas sofrendo de depressão e prestes a cometer suicídio, tema que Lázaro confessa ter tido dificuldade em abordar. “Ele começa a ter depressão a partir do momento em que o pai morre. Antigamente, não sabiam o que era depressão, então aquilo tudo foi tratado como loucura. Ele vai se deprimindo até chegar o momento em que não suporta mais e ele comete o suicídio. Então, para mim, a cena mais difícil de fazer foi o suicídio e a dureza da mãe em relação a isso”, diz o diretor.

Considerado um fruto do Fica, Lázaro credita ao festival toda a sua trajetória atrás das câmeras: “O Fica para mim é tudo. Ele me deu essa oportunidade, definiu o meu futuro. Foi um divisor de águas, abriu portas pra mim e eu me sinto realizado por ter me proporcionado essa nova carreira.”. Para o futuro, ele pensa em realizar um longa sobre a vida de Cora Coralina, um projeto ainda embrionário. “Já tenho alguns contatos com atores, estou pensando em trabalhar com música em todos os poemas principais, aonde a gente vai narrar à história a partir dos versos musicalizados de Cora. Talvez o filme já apareça nas próximas edições do Fica.