MOSTRA ABD É ENCERRADA SOB APLAUSOS DO PÚBLICO

A terceira e última noite de exibição da 15ª Mostra ABD Cine Goiás lotou o Cineteatro São Joaquim. Um público diversificado com moradores locais, visitantes e povos indígenas da etnia Xavante assistiram cinco filmes goianos – entre experimentais, documentário e ficção. A plateia da 19ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental vibrou do início ao fim, aplaudindo diretores e obras realizadas e encerrando a Mostra da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas de Goiás em grande estilo.

Os diretores dos cinco filmes tiveram a oportunidade de se apresentar e falar um pouco sobre cada projeto. Rochane Torres, diretora de “Aquelas ondas” e Daniel Duarte ressaltaram o tom experimental de seus curta-metragens. Benedito Ferreira, diretor de “Algo que Fica” evidenciou em sua fala a falta de discussão em torno do acidente do Césio 137. “Devemos discutir mais sobre o acidente, ter quer deixar viva a memória, para que isso não ocorra nunca mais”, observou. O jovem diretor Tothi Cardoso agradeceu aos colegas que o ajudaram a realizar o filme “A câmera de João”.

O filme de abertura da última sessão da Mostra em 2017 foi “Aquelas Ondas”, filme de caráter experimental da artista plástica Rochane Torres.  O curta-metragem retrata a história de um viajante em contato com outros mundos através de aparelhos digitais. Uma reflexão sobre identidades e direitos. Em fases, o filme mostra diálogos de diversas nacionalidades e brinca com o som das ondas – e imagens. Além de curtas narrações das conversas casuais em que também sugere o uso intenso de aplicativos de mensagem. A realizadora moderniza as conversas por carta, trazendo um apelo singelo ao contato cada vez mais distante – talvez por isso essa troca de mensagem para outros “mundos”.

Em seguida, foi exibido a ficção de Tothi Cardoso, “A Câmera de João”. A sinopse não vende realmente essa bela homenagem à fotografia que o diretor retratou em sua obra. Certamente com tons autobiográficos, Tothi conta a história de uma criança que mora com os avós e com a mãe em uma casa simples. João e avô têm uma ligação maior, mais intimista e se conectam entre si com a fotografia. Singelo e emocionante, esse curta-metragem traz a importantíssima colocação da mudança de época e da cidade – Goiânia com as famílias. “A Câmera de João” soube exatamente como prender o espectador do início ao fim.

“Hora de Brincar”, de Daniel Duarte, acerta em cheio ao propor um exercício sobre a observação do espaço de crianças e adolescentes. Com uma câmera fixada em pontos estratégicos, “Hora de Brincar” naturaliza a brincadeira das crianças que deixam de perceber a câmera e agem sem rodeios. Os atores deste filme experimental – as crianças e adolescentes – são autênticos e isso por si só já vale o filme. “Hora de Brincar” nos leva às brincadeiras em Anápolis, ao passado convergindo com o futuro no qual duas crianças discutem a falta de “rede de internet” em uma máquina de escrever e nos conectam com a comunidade kalunga da cidade de Uruaçu, em que a criança que abre o filme se diz “santa”, e ri e corre para brincadeira. Ao ver o filme, talvez você perceba que ela seja um tanto quanto “custosa”, divertindo a plateia.

Esperado por grande parte do público, o curta-metragem realizado em Goiânia, “Algo do Que Fica” recebeu fortes aplausos em um Cineteatro lotado. Avó e neta estão de mudança da casa onde vivem no centro de Goiânia, ao lado do lote do acidente do Césio 137 – que em breve receberá um museu. Necessário, o filme traz para pauta a discussão sobre o acidente que completa 30 anos em 2017. O diretor propõe em sua obra que a memória daqueles que sofreram com acidente nunca seja esquecida – para que a história não se repita.

Para finalizar a última sessão, a 15ª Mostra ABD Cine Goiás exibiu o documentário “Real Conquista”, da diretora Fabiana Assis. O filme mostra a luta de uma moradora do bairro que dá nome ao filme, Real Conquista, em Goiânia. A história do bairro e da personagem se convergem e retratam um período de luta e resistência intensa pela moradia e pela vida.

A exibição dos filmes da 15ª Mostra ABD Cine Goiás terminou nesta sexta-feira, 23, e agora o júri oficial escolherá os grandes vencedores que serão anunciados na manhã de domingo. Serão distribuídos troféus e mais R$120 mil em prêmios. A cerimônia de premiação do Fica 2017 será nesse domingo, 25, às 11h, no Cineteatro São Joaquim.