Parceira entre Fica e International Uranium Film Festival traz mostra especial sobre Césio 137 e outros acidentes radiológicos

Jordânia Bispo

O ano de 2017 marca exatos 30 anos que Goiânia presenciou um dos mais maiores acidentes radiológicos do mundo. Para lembrar o que significou o incidente com Césio 137 na capital do estado de Goiás e refletir sobre as três décadas que se passaram, o Fica, em parceria com o International Uranium Film Festival, promoveu na noite desta sexta-feira, 24 de junho, uma mostra especial com exibição de oito produções que abordam não só o caso do acidente goiano como também a temática da energia nuclear de modo geral.

De acordo com a diretora executiva do Uranium Film, Márcia Gomes de Oliveira, o objetivo da apresentação dos filmes no Fica 2017 era fazer um convite para o público pensar sobre as consequências de um acidente como o que aconteceu com Césio 137. “A radioatividade é uma questão ambiental. Então, realizar esse debate dentro de um Festival como esse é promover um casamento perfeito”, frisou.

“Essa relevância se torna maior quando consideramos as três décadas que se passaram do incidente e o fato dele ter acontecido em Goiás, estado onde o Fica é realizado”, lembrou Márcia, que também destacou na fala de abertura da sessão a necessidade de informação e discussão para a prevenção de outros acidentes como esses, que já trouxeram grandes prejuízos para a humanidade.

As produções que integraram a mostra foram selecionadas a partir do acervo do Festival, que conta com mais de 400 filmes de cineastas de diferentes países que abordam a radiologia e a energia nuclear em suas narrativas. A diretora executiva explicou ainda que se buscou trazer trabalhos sobre o incidente com o Césio 137, mas também relacioná-lo a outros acidentes. “A mostra foi pensada para fazermos linhas de ligação com outras questões que envolvem a radioatividade”.

 

Os filmes

A curadoria da mostra se norteou principalmente pela necessidade de valorizar filmes que abordassem outros casos como o do acidente com Césio 137.  A sequência teve início com “Sete anos de inverno”, ficção de Marcus Schwenzel, que se passa em Chernobyl, e “Abita. Crianças de Fukushima”, animação de Shoko Hara e Paul Brenner, que trata de parte das consequências do incidente em Fukushima. Ambos se direcionam ao tratamento de casos emblemáticos.

Já o documentário “Césio 137 – O brilho da morte”, de Luiz Eduardo Jorge, contempla especificamente o caso ocorrido em Goiânia (GO). As obras de ficção “A curiosidade mata”, de Sander Maran, e “Amarelinha”, de Angelo Lima, colocam em destaque a curiosidade que as pessoas tinham com relação à radiologia e aos processos químicos de modo geral.

O documentário “Pedra podre”, de Eva Lise Silva, Ligia Girão, Stela Grisotti e Walter Behr, também destaca um caso brasileiro. Porém, ele trabalha o acidente nuclear nas usinas de Angra dos Reis (RJ). “Quarto escuro”, animação de Anna Luisa Schimid, fala da conexão entre energia elétrica e produção nuclear e, por fim, “Revista da Morte”, joga luz sobre o uso de radiação ionizante na inspeção de segurança de presídios do Espírito Santo, o que pode ter causado 22 abortos em série.