Qualidade de produções, debates e ações marcam Fica 2016

Catherine Moraes e Déborah Gouthier

Nesta 18ª edição, o Fica deixa  um grande legado à comunidade escolar ao mesmo tempo em que fortalece os laços internacionais e aponta para novas opções de mercado para as produções cinematográficas. O festival, que teve início no último dia 16 e se encerrou neste domingo (21), teve mais de 350 obras inscritas, R$ 280 mil em premiações e a participação intensa em mostras, oficinas e debates sobre o futuro do cinema e a preservação ambiental. Um destaque desse Fica 2016 foi a alta qualidade das produções apresentadas: só na Mostra Competitiva foram 22 obras exibidas, sendo 12 filmes estrangeiros e dez nacionais, entre eles, quatro goianos.

Durante a cerimônia de encerramento do festival, a secretária de Educação, Cultura e Esporte Raquel Teixeira ressaltou que o Fica completa seus 18 anos neste ano demonstrando qualidade em toda sua programação. “O Fórum Ambiental foi o melhor destes 18 anos e discutiu a produção de alimentos no Cerrado, tema importantíssimo quando o assunto é segurança alimentar. Também achei importantíssimos os debates dobre os novos rumos de mercado do audiovisual. De forma unânime, até a música que não é o centro do evento, foi altamente elogiada, com mais de 25 shows e concertos. De orquestra a shows de rock, bossa nova e MPB. Estou muito feliz por participar deste grande encontro”, afirmou a secretária.

Raquel Teixeira (Foto: Flávio Isaac)

Raquel Teixeira (Foto: Flávio Isaac)

O coordenador-geral do Fica 2016 Lisandro Nogueira destacou também a importância da temática ambiental na programação do festival. “Ao longo do tempo, nossa busca foi aprimorar a ideia de filme ambiental, que não é um gênero do cinema. É uma temática nova e mais de 48 festivais no mundo já discutem as questões ambientais. Neste ano, o que percebemos é que filmes em tom apocalíptico imobilizam as pessoas. Tivemos, em 2016, filmes que vão de problemas ambientais no Vale do Araguaia até enchentes nas cidades. Com boa poesia e novas formas, é possível impactar e garantir mudanças”, argumentou. Isso se confirmou com a premiação deste último dia, que consagrou o longa-metragem La Supplication como o grande vencedor do Fica 2016.

Legado para as escolas

Para Raquel, o grande legado de 2016 diz respeito à comunidade escolar. “No total, mais de 2 mil crianças passaram pelos exibições em três dias de mostra. O Se liga no Fica, por exemplo, contou com a participação de 11 escolas estaduais que participaram de produções em vídeo. No Projeto O que Fica do Fica, mais de 220 alunos vão escrever textos sobre a experiência no festival. Os premiados vão para o Rio de Janeiro visitar o Museu do Amanhã”, afirmou durante o evento de premiação.

Melhorias na infraestrutura

De acordo com a secretaria, o  Cineteatro São Joaquim será entregue antes da realização do Fica 2017, já agendado para ocorrer entre os dias 20 e 25 de junho do próximo ano. “Peço desculpas pelo desconforto e pelas cadeiras não apropriadas do nosso Cinemão, mas prometo que para o próximo ano a situação será diferente. Também estamos atentos à qualidade da projeção. Eu me antecipei e convidei UEG, UFG E IFG para debatermos quais são, inclusive os melhores equipamentos técnicos para serem adquiridos para nosso novo Cineteatro São Joaquim”, garantiu.

Vislumbre internacional

Para 2017, o Fica fortaleceu laços internacionais. A partir do próximo ano, as produções audiovisuais selecionadas pelos festivais Cineamazônia, Filmabiente, Cine’Eco (Portugal) e Cinema Planeta (México) serão exibidas dentro da programação do Fica. O objetivo, de acordo com Raquel Teixeira é continuar o diálogo sobre a relação do cinema com a questão ambiental, além de unir os três festivais brasileiros que participam da Green Film Network e aproximá-los ainda mais de discussões realizadas em outros países.

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Debate e consultoria mercadológica

Outro passo importante dentro do Fica 2016 foi a presença de Eduardo Valente, ex-assessor internacional da Ancine, um dos curadores do Festival de Berlim e também curador do Festival de Brasília e Sabrina Nudeliman, CEO da Elo Company, empresa especializada em distribuição de conteúdo audiovisual. A ação inédita da Associação das Produtoras Independentes de Cinema e TV de Goiás, a GoFilmes  e que pretende se firmar nas próximas edições visa a consultoria a projetos sobre captação de recursos, distribuição e venda de filmes.

“Dar oportunidade dos produtores goianos entenderem melhor como funciona a colocação de produtos no mercado assim como suas principais perspectivas foi muito interessante. Sabrina e Eduardo destacaram o profissionalismo das produções goianas e as reais oportunidades de venda nacional e internacional. Isso mostra maturidade alcançada pelo nosso mercado que precisa aproveitar as políticas de regionalização implementadas para produzir mais e conquistar mais espaço”, afirmou Kelly Alves, secretária executiva da GoFilmes.